As pessoas que assistem aos piores dias de outras pessoas acumulam os efeitos disso, e as profissões que mais o fazem são as profissões menos dispostas a admiti-lo.
O que é normal nos dias seguintes. Sono interrompido, reviver mentalmente o acontecimento, irritação desproporcionada, evitar uma estrada ou um cheiro, sentir-se entorpecido, ou não sentir nada e ficar perturbado com isso. A maior parte resolve-se.
O que não é normal e precisa de ajuda. A situação piorar em vez de melhorar ao fim de várias semanas; pesadelos e imagens intrusivas que não desaparecem; beber mais; evitar o trabalho ou as pessoas; uma raiva que assusta as pessoas à sua volta; pensamentos de se magoar.
Uma única sessão obrigatória de debriefing não é a resposta. Exigir que todas as pessoas envolvidas se sentem e relatem o acontecimento em pormenor uma vez, pouco depois, não demonstrou prevenir problemas posteriores e pode piorar o estado de algumas pessoas. O que ajuda é apoio prático, descanso, poder falar com pessoas que compreendem o trabalho quando e se quiser, e acesso a cuidados adequados para a minoria que deles necessita.
O que realmente ajuda.
- Dormir, comer e ser retirado da escala, em vez de lhe dizerem para ficar bem.
- Falar nos seus próprios termos, com colegas ou com alguém fora do trabalho.
- Saber o que aconteceu depois — o desfecho — quando essa informação puder ser partilhada.
- Limites: nos turnos, na exposição a material gráfico, no número destes casos seguidos.
- Perguntar diretamente a alguém se está preocupado com essa pessoa, usando as palavras da aula anterior.
Para qualquer pessoa que analise material gráfico como parte de uma investigação: trabalhar em sessões curtas, desligar a reprodução automática, silenciar por predefinição, ver imagens fixas em vez de vídeo quando isso for suficiente e parar quando notar que deixou de reagir.
Fonte. World Health Organization, War Trauma Foundation and World Vision International, Psychological first aid: Guide for field workers, https://www.who.int/publications/i/item/9789241548205 ; WHO mhGAP, https://www.who.int/teams/mental-health-and-substance-use/treatment-care/mental-health-gap-action-programme
O que isto não é. Leitura, não formação, e não cuidados de saúde mental. Se algum dos elementos da segunda lista se aplicar a si, a medida útil é consultar alguém qualificado.